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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

De repente fez sentido

Depois de ouvir as aventuras de uma brasileira numa experiência de Au Pair nos EUA, Mano Chao fez mais sentido do que nunca.





Abaixo do clip no youtube estava esse post:

elpiu (1 mês atrás)
SOY UN CLANDESTINO EN MI PROPIA AMERICA LATINA..... ¿HASTA CUANDO TANTA BUROCRACIA?
VALE MAS UN PAPEL QUE UNA FILOSOFIA DE VIDA
ME DOY CUENTA QUE LA BUROCRACIA SE TENDRIA QUE LLAMAR CORRUPCRACIA
SI SEGUN DIOS NOS DIO LA VIDA....
LOS HOMBRES TRATAN DE COBRARTELA...
¿CUANDO TENDREMOS IGUALDAD SIN GENERO, RAZA, CONDICION SOCIAL O ECONOMICA?
no quiero nacionalizacion... quiero LIBERTAD

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O que te faz ser quem você é?


O que te faz índio? Algumas penas na cabeça, pinturas pelo corpo e uma pele "amorenada"? Ser índio, ser estanque. Para muitos, alguém lá no meio da selva, caçando e pescando, sempre desfrutando de todos os prazeres que a natureza pode nos dar. O que faz dele índio? A vivência distante de meus olhos, de meu mundo? A demarcação de um território que a civilização cristã, branca e ocidental lhe oferece? Aos índios a natureza selvagem, a identidade genuína a partir da negação de sua participação na modernidade (ou será pós-modernidade?). A identidade fossilizada, como algo externo a nós, com regras e sistemas de organização próprios. Como se a atividade humana não participasse dos processos de formação da identidade. A quem interessa um índio imutável? Como se as formas de sociedade não fossem a substância da cultura?
Atualizar a cultura. O homem se reiventa o tempo inteiro, posto que isto é forma elementar de sobrevivência. A quem interessa esse ideal de "autenticidade" estático?
Macuína corria atrás de sua Muiraquitã, símbolo de sua gente, história e tradição. Pois bem, corria atrás de sua subjetividade petrificada na forma de um objeto. A "autenticidade" presente no inanimado. Mas não seriam identidade, cultura e tradição elemento vivos?
Por que é tão difícil assumir que somos tão variados em nossa essência como em nossas formas de expressão?Outra pergunta possível: quando perceberemos que é a práxis humana, em seu sentido criador, que produz o mundo das coisas e ideias?

P.S: O que te faz ser quem você é? (na língua errada do povo/Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil).
Inspirações: Geertz, C. A interpretação das culturas.
Paiva, R., Barbalho, A (orgs.). Comunicação e cultura das minorias.
Rede Índios On Line.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A construção social do imaginário tecnológico

Na semana passada deis duas palestras sobre cibercultura na Unesp. A primeira, mais teórica e conceitual, foi para a turma de Rádio e Tv e a segunda, mais prática, para o pessoal do Jornalismo. O interessante nos dois dias de palestras foi perceber a polêmica que gira em torno do assunto, sobretudo em relação a célebre questão: "o que virá com tanta tecnologia disponível?".
A presença de tecnologias digitais em nosso cotidiano é tamanha que nada mais natural do que determinados medos associados à dependência dos seres-humanos a tais artefatos. No entanto, as tecnologias não são criadas pelos próprios seres-humanos? Por acaso não somos nós que as introduzimos em nosso cotidiano e lhes atribuimos significados e usos? Há uma certa ideia de que as tecnologias em geral são como entidades preexistentes à existencia humana, isto é, dotadas de poderes próprios e causalidades maléficas ou benéficas (a depender de quem discursa). Num pequeno livrinho intitulado "Pós-modernidade" há um artigo chamado "O fututo do passado" que trata da produção sci-fi, desde a década de 50, passando pelos anos 60, até chegar às produções da década de 80. Nesse brilhante artigo os autores mostram como essas produções cinematográficas estão ligadas às noções de pós-modernidade e, mais do que isso, a uma certa ideia de desenvolvimento tecnológico muito presente nos atuais discursos sobre cibercultura. O mundo virtual como algo irreal, fantasia e escape, termos pejorativos, a meu ver, para tratar o assunto tem correspondência nessas produções. Mas será que o virtual não dialoga com o real?
Se atentarmos para o contexto histórico veremos, também, a importância das polarizações ideológicas (capitalismo X socialismo) para a construção de todo um imaginário tecnológico muito ligado ao fortalecimento do capitalismo, sobretudo com a queda do muro de Berlim, em 1989. Ou seja, pensar a cibercultura requer que adentremos em outros territórios que não só o simples funcionamento dos artefatos digitais e suas possibilidade de interação. Isso não significa, contudo, que o desenvolvimento tecnológico é ruim. Não existe tecnologia boa ou má, tudo depende de como as utilizamos.
Se hoje uma criança gasta horas no computador, tal fato não se deve somente a presença do computador no ambiente da casa. Há de se avaliar conjunturas históricas, as noções de família, a precarização da rua, dos espaços públicos, etc. A resolução para o "problema" não seria, pois, quebrar o computador. A problemátrica gira em torno da seguinte questão: " Que projeto de sociedade queremos construir?". Respostas que vem carregada de outras perguntas: "Quem fala de cibercultura, de onde fala e para que fala?"....

P.S: O título é inspirado no livro de Peter Berger, A construção social da realidade. O social é só para lembrar a dimensão humana da questão.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Valença, RJ, o começo necessário.

Nas minhas lembranças de criança Valença resumia-se à cada de minha avó. A pequena sala de estar, com sofás de almofada de veludo, a mesinha ao centro com um vaso azul bem fininho e dois retratos assustadores de meus bisavós pendurados na parede, simetricamente dispostos, talvez para reforçar a tal união eterna cristã. Todos os cantos daquela casa despertam-me lembranças vívidas de risadas e brincadeiras. Certo que houveram também algumas brigas, que, hoje, soam pueris.
Depois de mais de dez anos da morte de minha avó, retorno à casa, já não mais com os olhos de criança. Sei que minha prima não estará no portão a nossa espera, tão pouco os gatos de minha vó enfileirados no quintal. Não importa. Estava decidida a voltar e descobrir a cidade, por assim dizer. Queria saber o que significa Valença na vida de seus habitantes, de minha família, na minha própria vida. Meu avô resumia-se a uma foto três por quatro em minha carteira e sentia uma necessidade absurda de buscá-lo pela cidade. Com essa ideia na cabeça cheguei a Valença.
O interior do Rio é completamente diferente de São Paulo e não digo isso por conta das dificulades financeiras, muito mais visíveis aos olhos paulistanos. São os morros que cercam a cidade por todos os lados, trazendo um charme especial à paisagem, as palmeiras imponentes da época do Brasil colônia, o gingado dos sambinhas dos butecos de esquina e, principalmente, a herança negra da cidade.
As construções antigas descascam, espremidas pelas compridas vielas de paralelepipedo. O que para uns representa decadência, torna-se em meu imaginário um cenário vibrante. No entanto, devo admitir que, nos primeiros dias, havia algo de incômodo. Não sabia decifrar, mas algo não se ajustava aos meus olhos. Pecebi, então, que era a ausência de fachadas e objetos cleans. Valença não tem nada de clean, além de uma ou outra boutique sem importância. Para quem vem de São Paulo essa adaptação visual é marcante. Não há muitos prédios, tampoucos os espelhados, e a cidade não tenta criar climas, ou seja, não há simulações high-tech ou "ecologicamente sustentáveis". O fato é que a beleza da cidade não está na moda. E isso tornou-se o tempero essencial às minhas andanças.
A pé, com a companhia de meu irmão, cheguei a um dos prédios da antiga Central do Brasil. Ali, topamos com o nosso futuro guia turístico. Seus pais, assim como meu avô, vieram de Minas para trabalhar na Central do Brasil e de Valença nunca mais sairam. Pedro sabe todas as transformações sofridas pela ferrovia, as alterações provocadas pelos trilhos na paisagem da cidade e nome, sobrenome, cargo ocupado, estado civil e importância das famílias tradicionais e "não tradicionais oficializadas", que fizeram parte dessa história. Os anos como ambulante o fizeram ser, se não reconhecido, ao menos conhecido pelos moradores da cidade. Foi através de sua ajuda que chegamos ao Sr. Sebastião...mas isso é estória para outro post.

Valença - RJ - Pte I


Essa é pra despertar curiosidade no que está por vir..

domingo, 16 de agosto de 2009

O próximo

Um menino gordo devora dois sanduíches e 300ml de coca-cola descem por sua garganta. A avó olha sorridente.
Um audi na contramão e eu no retorno, do lado certo. Com ar condicionado ligado o dono do audi me olha feio.
A mulher e seu marido chiliquento. Desgostosos, sempre.
Pessoas preocupadas com a limpeza de suas mãos. Ambientes assépticos mais do que nunca.
A moça do caixa, irritantemente, irritada. A gerente fitando-a.
O mocinho do treinamento visivelmente deslocado e sua incômoda fissura lábio-palatal. A ausência de olhares.
A feirinha "sustentável", o calor, a secura, a indiferança. O ambiente insustentável.

Alheia, a molecada nada no Vitória Régia. A democracia à espreita.

sábado, 15 de agosto de 2009

Músicas de sábado

Algumas das músicas que passaram pela cabeça nesse sábado quente e seco de Bauru: